19 de mar de 2012

Believing without belonging

Modernidade designa o período das tentativas frustradas de absolutizar o relativo e tudo explicar mediante perspectivas unilaterais.

As ideologias oferecem explicações globais até se manifestarem redondamente engadas. O desengano vem quando já conseguiram implementar suas tragédias.

Esse período já passou. Na era pós-trágica, pós-ideológica e pós-moderna resta apenas a desconfiança nas explicações globais, na moral absoluta e na verdade objetiva.

Mas isso não sufoca a sede humana de transcendente. Apenas problematiza o recorrente “retorno ao sacro”.

De fato, se a secularização é a marginalização da religião, sua exclusão dos fóruns culturais, morais e políticos, a mesma secularização é a plataforma de lançamento de religiosidades novas dispersas, que não afetam a cultura nem se afetam com ela.

Migrações confessionais, concessões sincretistas, nivelamento epistemológico entre abordagens científicas e esotéricas: são sintomas de um lento processo “exílico”.

Quanto a tal exílio, falemos dele na próxima postagem.
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