8 de fev de 2012

Derrube três muros do gueto cristão

Vimos três rotas de fuga, ou melhor, três pontes para fora do gueto. Nesta postagem, vejamos três insights cuja luz faz-se necessário difundir para iluminar essas pontes. As pontes equivalem ao “como” comunicar; os insights, a “o quê” comunicar.

Falsa dicotomia entre razão e fé

A primeira coisa a comunicar é íntima relação existente entre fé e razão.

Por um lado, é preciso recuperar o vocabulário externo, não ser um outsider epistêmico ao falar da fé. Por outro, esmagar o clichê renascentista como uma barata; restaurar a noção de religião, que não está divorciada do humanismo.

Índole pública da religião

A praça pública da razão não é espaço para duendes, bruxas nem vampiros. Mas hoje praticamente dá na mesma ser um feminista verde ou um gnomo misógino, já que as minorias substituíram as instituições. De fato, as instituições têm recebido má acolhida: não se costuma dizer que toda autoridade é burra?

A Igreja explode esse esquema, já que defende uma minoria institucionalmente. Mais do que nunca, é preciso deixar clara a dimensão social e o impacto público da existência cristã.

[Reclamaram tanto do trecho abaixo que sugiro pular para ler depois.]

Encontrei uma curiosa lista de impressões acerca da Igreja, cuja procedência é duvidosa, mas que representa bem a confusa deformação da opinião pública atual. Transcrevo-a para que sirva de referência, para deixar constância de quanto falta comunicar, e para ficar claro que as críticas são o espelho da própria miséria moral e intelectual:
  • Clube social cheio de regras (web design)
  • Não é a casa de Deus (body piercing)
  • Um simples local (empresário)
  • Não sei, nunca frequentei (modelo gay)
  • Máquina de fazer dinheiro (jornalista)
  • Problema (tatuadora lésbica)
  • Lugar da ignorância (arquiteta feminista)
  • Sistema carcerário (ex-presidiário)
  • Último lugar a se frequentar (ilusionista viciado em pornografia)
  • Onde se perde a vida (garoto de programa)
  • Não preciso dela para ter Deus (artista plástica viciada em remédios)
  • Sistema político disfarçado (artesã bissexual)
  • Onde Jesus não está (ex-participante de rede jovem)
  • Onde o extremismo reina (pai solteiro)
  • Comércio espiritual (lésbicas amasiadas)
  • Buuuuu (bancária alcoólatra)
  • Governo de uma religião (ilustrador bipolar)
  • Fanatismo (professor gay)
  • Nada contra nem a favor (casal praticante de swing)
  • Onde um mito prevalece (tatuadora com síndrome de pânico)

Consequências da liberdade religiosa

A liberdade mais fundamental é a religiosa. Mas isso não equivale a ter orgulho de se apresentar como católico em espaço público nem a criar uma militância sagrada ao lado de outros partidos.

O que mais importa é ter liberdade para fazer publicamente uma profunda proposta religiosa positiva e aberta. Imitatio Dei coercitiva é um oximoro, Deus não está interessado nisso, mas na dignidade de cada pessoa humana, charneira entre os de fora e os de dentro da Igreja.

Portanto:
  1. existe o direito de se dizer não a Deus;
  2. existe um compromisso religioso em prol do homem;
  3. deve-se usar a língua de César na vida pública, que é a linguagem da persuasão e da democracia;
  4. deve-se denunciar a falsa identificação entre laicidade e neutralidade;
  5. deve-se garantir tratamento semelhante para o ensino secular e para o religioso.
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