3 de fev de 2012

Três saídas do gueto laicista

Certa mentalidade laicista,
e outras maneiras de pensar

que poderíamos chamar pietistas,
coincidem em não considerar
o cristão como homem íntegro e pleno.
Para os primeiros, as exigências do Evangelho
sufocariam as qualidades humanas;
para os outros, a natureza decaída
poria em perigo a pureza da fé.

O resultado é o mesmo:
desconhecem a profundidade da Encarnação de Cristo,
ignoram que o Verbo se fez carne, homem, e habitou entre nós.
(São Josemaria, Amigos de Deus, n.º 74)


Sair do gueto laicista significa sair do “próprio” gueto. Está encurralado quem voluntariamente foi para o canto do ringue. Por isso, os verdadeiros caminhos de saída são intraeclesiais.

Não há balas de prata que derrubem tais muros, pois as revoluções internas são mais difíceis que as externas. Basicamente, mais do que recuperar a língua latina, a Igreja precisa recuperar a linguagem da santidade.

O desafio lançado pela modernidade laicista reclama uma nova educação que resgate o homo religiosus aprisionado nas masmorras do homo modernus. Ora, a segurança de um crente lhe provém tanto da fé quanto da razão. Por isso, o “como” se transmite é tão importante quanto “o quê” se transmite.

Vejamos primeiramente três rotas de fuga, ou melhor, três pontes para fora do gueto. Numa próxima postagem, três insights cuja luz faz-se necessário difundir. As pontes equivalem ao “como” comunicar; os insights, a “o quê” comunicar.

Relançamento da santidade

À atrofia da liturgia sucede a hipertrofia da ética. O inefável é trocado pelo palpável. Isso é uma espécie de excentricidade eclesiológica.

Se ética é idioma universal, a santidade não o é. Aqui é que mora a diferença e disso não se pode fugir, pois ser só bom é muito pouca coisa.

Transversalidade política

Por hora, satisfaço-me transcrevendo o seguinte trecho de O Sal da Terra, págs. 113s:

“Os sistemas políticos desfazem-se e depois nada muda. (…) Sobretudo nos últimos anos da Democrazia Cristiana insistiu-se muito na unidade política dos católicos e considerou-se um objetivo principal que os católicos também tivessem de se mostrar unidos no domínio político, de acordo com a sua responsabilidade. Isso não impediu a Democrazia Cristiana de se desfazer, de modo que a Conferência Episcopal Italiana teve de desistir desse objetivo. Agora ela se volta mais para a neutralidade e considera como novo objetivo que os cristãos, em todos os partidos, atuem, de acordo uns com os outros, de modo “transversal”, como se diz aqui, para além das fronteiras dos partidos, no que diz respeito às questões éticas essenciais da política, a partir da sua responsabilidade comum. O objetivo é, portanto, um consenso político completamente novo que se deve formar nas questões éticas fundamentais para além dos partidos.”

Projeto generacional

A verdadeira política pró-vida é ter filhos.

Se só os islâmicos prezam a família, em breve o Ocidente será, se não árabe, islâmico. E não exagero. Vide a Holanda: as procissões de Corpus Christi voltaram a ser legítimas após 500 anos só porque cresceu a população muçulmana a ponto de derrubar a proibição a manifestações religiosas públicas do governo laicista local.

Para gerações perdidas, a melhor resposta é uma nova geração sadia.
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