25 de jan de 2012

Importância da Patrologia

Em comemoração da festa de hoje da conversão de São Paulo, tão importante para o ecumenismo, gostaria de falar sobre aqueles cristãos dos primeiros tempos, que viveram numa Igreja unida.

Noção e conceito

Etimologicamente, Patrologia é a ciência que estuda os “Padres da Igreja”. A Instrução sobre o estudo dos Padres da Igreja na formação sacerdotal (IEP, 1989) distingue patrística (que se ocupa do pensamento teológico dos Padres) de patrologia (que tem por objeto a vida e os escritos dos mesmos).

Além disso, por seu caráter teológicos, a Patrística e a Patrologia se distinguem da Literatura cristã antiga, disciplina não teológica e, pode-se dizer, literária, que estuda os aspectos estilísticos e filológicos dos escritores cristãos antigos (n.º 49).

Modernamente — segundo o tratado De locis theologicis, de Melchior Cano —, são considerados “Padres da Igreja” os cristãos que se distinguiram por:
a) ortodoxia doutrinal na orientação geral dos escritos;
b) santidade de vida;
c) reconhecimento ao menos indireto por parte da Igreja;
d) antiguidade: até Calcedônia (451) ou até S. Gregório Magno e S. João Damasceno.

O Bem-aventurado João Paulo II descreveu-os com precisão, apoiando-se no Commonitorium de São Vicente de Lérins (I, 3; PL 50, 641): Padres da Igreja são chamados com razão aqueles santos que, com a força da fé, a profundidade e riqueza dos seus ensinamentos, durante os primeiros séculos a geraram e formaram (Carta apostólica Patres Ecclesiæ, I).

Atualidade da Patrologia 

A disciplina da patrologia estabeleceu-se no século XIX (Möhler, Funk, Harnack, Zahn, Bardenhewer, Duchesne, Batiffol) e teve notável renovação no século XX (Daniélou, De Lubac, Marrou, Dölger, cardeal Pellegrino, etc.), também por conta das descobertas de Qumran e Nag-Hammadi, assim como pelos estudos de filologia clássica e da Antiguidade tardia.

O tema recobra grande importância com a perspectiva do próximo Ano da Fé, pois o esforço pela nova evangelização exige não só conhecer o conteúdo da Revelação bíblica, mas também saber transmiti-lo como os Padres da Igreja o fizeram

Os Padres como testemunhas da Tradição

A preeminência dos Padres voltou a ser evidenciada pelo Concílio Vaticano II, ao colocar a Tradição ao lado da Escritura (cf. Dei Verbum 9) e ao reclamar que se explique a contribuição dos Padres ao desenvolvimento de cada uma das verdades reveladas (cf. Optatam totius 16). Isso não impediu um considerável empobrecimento teológico nas correntes que prescindem da dimensão histórica dos dogmas ou se limitam a confrontar o dado bíblico com as realidades sociais.

Constituindo um elo da Tradição “viva”, os Padres devem ser reconhecidos como mais próximos à pureza das origens, testemunhas iniciais, fontes tradicionais, expoentes da Tradição “constitutiva” (IEP 19).

Os Padres como modelos de inculturação

O zelo dos Padres pela revelação levou alguns deles a rechaçar em bloco as contribuições da cultura pagã; a maioria, porém, praticou a inculturação mediante o duplo processo de assimilação dos acertos e desassimilação dos erros de dita cultura. Assim, numerosos termos foram introduzidos na teologia trinitária e cristológica, servindo para plasmar algumas formulações dogmáticas e vindo a fazer parte do acervo teológico corrente.

Ademais, a pregação dos Padres evidencia a experiência que fizeram de Deus, ajudando a colocar a espiritualidade como finalidade da teologia. Tal alento determina o comportamento moral e estimula a evangelização.
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