29 de dez de 2011

Cinco revelações sobre a data do Natal

vide número 3 abaixo
1) O imperador Aureliano estabeleceu, além do tradicional festival de inverno, em 274, a festividade do nascimento do Sol Invictus a 25 dezembro. Daí nasceu a teoria de que os cristãos teriam deliberadamente cristianizado a festa. Apesar de bastante aceita, é uma hipótese não atestada pelos autores cristãos daquele tempo, mas só defendida a partir do século XII. Foi o comentarista bíblico siríaco Dionísio bar Salibi que, numa nota marginal a um manuscrito, afirmou a transferência da festa de 6 de janeiro para 25 de dezembro. As reminiscências pagãs nas festas cristãs atuais são, quando muito, empréstimos medievais da Europa do Norte e do Leste, não de festas pagãs da Antiguidade. 

2) Em dezembro inicia-se a estação das chuvas, o inverno rigoroso (cf. Esd 10,9; Jr 36,22; Jo 10,22). Seria mais provável que os pastores tivessem seus rebanhos recolhidos e abrigados, e não nos campos (cf. Lc 2,6-8). Mas um martirológio romano do século IV diz a 25 de dezembro: natus Christus in Betlehem Judeæ. E Santo Agostinho afirma que os conservadores donatistas celebravam o Natal a 25 de dezembro, mas não a Epifania a 6 de janeiro, para eles uma data inventada.

3) Liturgicamente, 25 de dezembro faz sentido com relação à data em que se comemora a Natividade de São João Batista (24 de junho). Seu pai Zacarias, que era “da classe de Abias”, concebeu-o após exercer suas funções sacerdotais (Lc 1,5.8s). Ora, consta que tal classe servia no Templo a partir de julho, de modo que o Batista pode ter nascido a partir de abril e Cristo a partir de outubro. Não é possível ter certeza, pois o calendário judaico incluía um 13º mês a cada três anos mais ou menos.

4) Os professores Louis Duchesne (França) e Thomas Talley (EUA) defendem que a data litúrgica do Natal depende da data da Paixão porque, para o entendimento medieval e também judaico, toda a salvação se opera conjuntamente, em unidade. O dia da Criação também é o dia da Salvação: a Páscoa. Por isso, Cristo teria sido concebido no mesmo dia do seu Mistério Pascal (cf. At 13,33; Sl 2,7), isto é, no plenilúnio do equinócio da primavera. De fato, Tertuliano calculou que o dia 14 de Nisã do ano em que morreu Nosso Senhor correspondeu então a 25 de março do calendário juliano. Santo Agostinho também fala disso em sua obra De Trinitate.

5) Por outro lado, no Oriente a Igreja Ortodoxa fez a equivalência com o calendário grego, a 14 de Artemisios (primeiro mês da primavera), isto é, 6 de abril. Santo Epifânio diz que em 6 de abril “o Cordeiro foi depositado no imaculado útero da Santa Virgem, ele que tirou e tira em perpétuo sacrifício os pecados do mundo”. Por isso comemoram o Natal a 6 de janeiro.
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