18 de set de 2011

Jihad da palavra

Batismo do jornalista Magdi Allam
No quinto ano do discurso de Ratisbona.


“Se o 11 de setembro representou o cume da «jihad do terror», com o mais sanguinolento atentado ao coração da superpotência mundial, o 12 de setembro de 2006 constitui o nível mais alto da «jihad da palavra», através do mais insidioso ataque verbal ao líder espiritual que hoje, mais do que ninguém, encarna os valores e os ideais do Ocidente. A «jihad da palavra» tem o seu fundamento na convicção de que todos nós (incluindo aqueles que, neste momento, irresponsavelmente dão apoio aos fundamentalistas islâmicos) — ou seja, o inimigo — seremos derrotados quando nos autocensurarmos voluntariamente, quando formos dominados pelo medo de dizer o que pensamos e de sermos aquilo que somos, quando o medo àquilo que poderá acontecer nos dilacerar interiormente e paralisar totalmente”.

Com tais palavras, Magdi Cristiano Allam, vice-diretor do jornal italiano Corriere della Sera, comentava o período histórico em que vivemos no livro da sua conversão do Islã ao catolicismo. Constatamos, com efeito, um embate entre o terrorismo islâmico por um lado e o niilismo ocidental por outro. E no centro do ringue, Bento XVI.

A mordaça que se tem procurado aplicar ao Pontífice, aparentemente eficaz em alguns momentos, é uma derrota do princípio de liberdade de expressão, eixo da civilização ocidental. O “politicamente correto” está dando passo agora ao “islamicamente correto”.

O que têm em comum o niilismo relativista ocidental e o fundamentalismo islâmico? A negação da racionalidade. Aí se estriba a conjunção de forças tão contrárias em um único objetivo: calar a Palavra.

10 anos do terror. 5 anos da mordaça. Mas tanto faz. A Palavra nunca está acorrentada. Fala mesmo em silêncio. E quem faz teologia também sabe fazer teodiceia; é até um exercício interessante.
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