30 de set de 2011

Três dicas “in honorem Sancti Hieronymi”

Deixo aqui  umas considerações soltas acerca da Escritura, em homenagem ao seu mais exímio tradutor, cuja festa é hoje.

Para quem quiser uma orientação mais sistemática, recomendo essa bússula.

Ler — Saber — Saborear

Não é preciso “saber” para aproveitar as leituras, pois a Palavra supera os processos intelectuais.

“Saber” as Escrituras é relativo, pois alguém pode entender perfeitamente os Evangelhos e negar a divindade de Cristo.

Vinho velho é vinho bom

O Antigo Testamento não deve ser lido ou citado como mera referência, nem fóssil, nem sítio arqueológico. Muito menos como enredo de escola de samba, que “começa lá atrás”. (Por sinal, por que os sambas-enredo têm de apelar à história do Antigo Egito para falar da política contemporânea?)

O Antigo Testamento é revelação hoje para nós. Embora também se ponha em pé de igualdade com ele, o Novo Testamento sempre se refere ao Antigo designando-o respeitosamente de “Escritura”.

Para além de moralismo 

Tem gente que se contenta com procurar consequências espirituais de episódios do Antigo Testamento, como se fossem fábulas de que se extraiam a “moral da história”. Pior que, muitas vezes, basta-lhes um resumo dos mesmos episódios, realizado por algum autor, mas nunca os leram nas páginas originais.

Quem não penetra nas próprias palavras inspiradas incorrem no erro de transformá-las em mero gancho para o assunto de que querem falar ou sobre o que querem refletir. É uma gnose, um labirinto mental, uma prisão intelectual, uma obnubilação diante da verdade que sempre nos surpreende.

***

Ignoratio enim Scripturarum ignoratio Christi est. — O desconhecimento das Escrituras é desconhecer a Cristo.
(São Jerônimo, Comm. in Is., Prol.: PL 24, 17)

Seja um personagem mais nas páginas que você lê.
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