14 de jun de 2011

Guru libertino

Entra o guru cinquentão em seu escritório sofisticado. Senta-se diante do notebook e começa a cuspir o que ele — insisto, cinquentão — pensa ser o pensamento teen. Ainda tem a pachorra de acrescentar apreciações acerca do comportamento global ou das “novas conquistas éticas”, como se fosse possuidor de uma bola de cristal pós-moderna.

Essa figura não é inventada. É o triste manipulador de mentes jovens que poderiam ser brilhantes mas estão enfraquecidas pela preguiça e que poderiam permanecer joviais mas estão envelhecidas por malfadadas experiências precoces. Difícil dizer o que veio antes: se tal galinha ou esses ovos. Afinal, o guru acaba por plasmar muitas mentes a quem ele atribui a origem das suas mesmas afirmações. O profeta da libertinagem apresenta-se como porta-voz de uma sociedade desgovernada.

Por sorte, nem todos se deixam levar pela preguiça intelectual. Uma parcela considerável de pessoas percebe que há algo errado nas “tendências” e procura resistir. E, dentro dessa parcela, uma nata procura reagir.

Imposição de desejos abstratos

O autodenominado “tolerante” guru — que pode ser o editor de uma revista ou um professor universitário — ignora sem dó os desejos concretos das pessoas concretas, propagando para uma sociedade abstrata sua agenda de delírios, criada nos laboratórios de ideologias escusas.

No Dia da Mulher ele cita uma infeliz: “Quero viver minha vida sozinha, por conta própria, e ninguém tem nada a ver com isso” — mas todos têm tudo a ver com isso! No carnaval, em vez de dizer “pule o carnaval sem pular a cerca”, ele agita a bandeira: “pule o carnaval fantasiado de camisinha”.

O guru lidera uma seita. No dizer do Luiz Felipe Pondé, é a seita que quer que os homens reais deixem de existir para dar lugar aos homens com “libido politicamente reordenado”. Seu credo principal é a ideologia de gênero, que engarça todas as aspirações contratulturais que hoje parecem ter triunfado: “direito” ao aborto, promoção do homossexualismo e da bissexualidade, divórcio expresso e casamento gay, fecundação artificial, etc.

Numa primeira etapa, a ideologia pretende separar sexo de sexualidade e afetividade. Noutro momento, nega a própria existência de masculino e feminino e estimula a promiscuidade desde a infância. O resultado desse processo ideológico é a anulação da identidade sexual e, portanto, da dimensão da complementariedade entre homem e mulher.

Falácias amorosas

A lista abaixo não perfaz um levantamento exaustivo de slogans sobre relacionamento, o que aliás não valeria a pena fazer:
  • Não somos uma opinião a mais. — Infelizmente! 
  • Precisamos experimentar. — Nunca entendi como mecânica corporal pode suprir experiência de vida. 
  • Usando preservativo, nada ocorrerá de mau. — Há riscos reais, mesmo com “proteção”. E gravidez nunca pode ser equiparada à doença. 
  • A gente só quer se divertir. — Sexo não é um esporte radical, ele afeta toda a psicologia.
  • Amor versus sexo é um dilema cristão.Mais falso que Judas
Obviamente, a disjuntiva cristã não se restringe ao campo da castidade, ainda que pareça ser o ponto mais gritante. A verdadeira batalha está se travando em torno ao marco da secularidade. Mas falemos disso posteriormente.
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