17 de jun de 2011

Cânon da crítica

Existe um “cânon clássico de questões” que se costuma levantar à Igreja Católica. Uma forma divertida de dar resposta a tais questionamentos foi realizada por estudantes universitários espanhóis, com motivo da próxima Jornada Mundial da Juventude 2011, que terá lugar em Madri.
Seleciono algumas respostas:
  • Ordenação de mulheres

  • Contracepção
  • Celibato

  • Pedofilia
  • Preservativo

  • Homossexualismo


Abstenho-me de comentar. Mas passo a palavra a quem criou a expressão “cânon clássico de questões”, em 1984.

Há um argumento contrário muito simples (…): essas questões estão resolvidas na cristandade protestante (…) [mas mesmo assim] não resolveu o problema de ser cristão no mundo de hoje. (…) Julgo que se devia tornar claro para nós que, em última análise, não é por causa dessas questões que a Igreja sofre.

Estou convencido de que, numa virada espiritual que um dia há de vir, as questões perderão a sua  premência tão rapidamente quanto chegaram a adquiri-la. Porque, afinal, não são as verdadeiras questões do Homem.

Na maior parte das pessoas encontra-se, atualmente, uma ideologia média que visa a alcançar um determinado nível de vida. Que visa a que uma pessoa se possa realizar no que deseja, no que quer; e Deus, nesse contexto, é, afinal, uma incógnita que, na realidade, não conta. Essa concepção também acarreta que a moral resulte mais do acaso, ou então do cálculo destinado a assegurar a felicidade. (…) A ideologia média, em que vivemos presentemente e que se nos impõe todos os dias, seduz-nos para certezas que, no fundo, isolam o homem do essencial. Por um lado, ele não consegue mais compreender o essencial, por outro, percebe que lhe falta qualquer coisa. Porque as grandes doenças coletivas que atualmente existem baseiam-se na noção de que falta alguma coisa à vida humana e de que se sente essa falta. Nesse sentido, deveríamos ter a coragem de também combater o que é considerado “normal” para uma pessoa do fim do século XX.
(Joseph Ratzinger, O Sal da Terra, págs. 145, 169 e 29-30)
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