20 de jun de 2011

Amizade conformista


Esta é a parte
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Byron qualificou a amizade de união peculiar da juventude, invertendo a visão clássica que apoiava a fidelidade na maturidade e sabedoria. Com a elevação na Modernidade da juventude ao supremo status de melhor e mais autêntico período da vida, a amizade tornou-se objeto de intensa emoção em duas direções contraditórias: o elixir da juventude estaria na desesperada retenção das amizades e a nostalgia seria oriunda das amizades perdidas.

Por outro lado, a crença de que a parte mais significativa da vida emocional ocorre não dentro da família, mas dentro de um grupo de amigos, começou a expandir-se nas companhias artísticas e se tornou geral durante a última metade do século XX.

A cultura da amizade grupal alcançou o apogeu nos anos 60 com a comuna (comunidade de amigos retirados da sociedade corporativizada) e as “bandas” de rock (que evocam a “band of brothers” de Shakespeare e “band of Merry Men” de Robin Hood). Woodstock foi a apoteose conjunta de ambos ideais.

A era da utopia apostava em ir pela vida acompanhado. O fim dos Beatles soou, portanto, como uma incrível tragédia. A nostalgia tornou-se o lema trinta anos após o baby boom. O mundo frio suplicava pelo quente abraço dos amigos.

Nos anos 90, porém, os que chegaram solteiros perto dos quarenta anos reencontraram seu modelo de amizade em Seinfeld, Sex and the City e, claro, Friends. Mas então a noção de amizade já deixou um reduto de resistência moral, uma proteção contra a pressão normativa e uma incubadora de ideais sociais. Os amigos deixaram de ser uma proteção contra o conformismo: eles se tornaram o próprio conformismo.
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