22 de nov de 2010

Órfãos de lar, estranhos de casa


Os tempos que nos tocam viver parecem tirar às virtudes humanas todas as conveniências. Mais do que uma crise ética, sofremos uma crise de valores: com efeito, alguém pode atuar eticamente em sua profissão (cobrando o justo, evitando a propina, sem falsear dados, cumprindo o horário, honrando os contratos) e carecer de valores (chegar em casa tarde, desatender aos familiares e amigos, etc.).

O contraste evidencia-se sobremaneira nos âmbitos inflados por valores menores (por exemplo, o antitabagismo transformou o fumo praticamente em pecado mortal) ou, pelo contrário, nos campos rarefeitos pela perda total dos mesmos valores (por exemplo, tolerância com a maconha porque não se vê mal na evasão mental).

Ora, um bom modo de recuperar as virtudes é o resgate dos valores que as motivam. A perda dos condicionantes sociais que facilitavam a prática das virtudes apresenta-se-nos como uma grande oportunidade de praticá-las não por conveniência, mas por convicção.

Uma das virtudes que mais se vê desamparada hoje é a castidade. Perdeu sua razão de ser. Antes, servia aos egoístas e mesquinhos como método profilático contra a gravidez. Ela garantia aos preocupados com a própria fama um verniz de honradez. Agora que ninguém se envergonha de mais nada e publica suas indecências para todos ouvirem; agora, que está ao alcance da mão uma profilaxia mais cômoda feita à base de pílulas e borrachas flavorizadas; agora... para que ainda serve a castidade?

Dentro de pouco tempo, pela primeira vez uma grande massa de órfãos de pai vivo chegará à maturidade. O mais provável é que repliquem o modelo aprendido dos genitores: não o modelo de família, que não conheceram e lhes é apresentado como demodée, mas o modelo da “produção independente”, do “casar de penalty”, dos “acidentes de percurso”, dos preservativos ditos 100% seguros mas que furam numa certa porcentagem de casos…

Família se faz com virtudes, não com filhos por aí. Família tem vontade própria e comum, não a vontade egoísta e independente de cada um que vai para o seu canto quando a satisfação começa a minguar.

Por tudo isso, acho que a salvação da castidade virá pelo resgate dos valores familiares. Estará ao alcance da mão desprezá-la, será um sonho de consumo vivê-la. A orfandade do lar será sentida de forma lancinante pelas próximas gerações e recomendará esta virtude como o verdadeiro elixir do amor.

Com uma vantagem: a castidade não tem preço, não é preciso pagar por ela, não está à venda em farmácias nem sexshops.

Lembre-se: você pode começar agora.
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