1 de jul de 2010

Memórias de Niterói


Tributo da memória. Pois fiz meu curso de arquitetura nessas paragens.

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Conhecidas primitivamente como Barreiras Vermelhas, as terras que hoje compõem em Niterói os bairros de São Domingos, Gragoatá e Boa Viagem pertenciam à sesmaria concedida em 1568 ao índio Arariboia e couberam a uma de suas herdeiras, Violante Soares de Souza. Casou-se com esta Domingos Araújo, que se fez fazendeiro na região e ergueu em 1652 a capela de São Domingos de Gusmão no núcleo original do povoado. Em 1898 a antiga capela foi demolida para a construção da atual igreja de São Domingos, inaugurada em 1901 (projeto do arquiteto Bianor de Mendonça).

A importância histórica da área advém do fato de que a ponta de São Domingos era considerada na época de exploração um local muito seguro para desembarque de pessoas vindas do Rio de Janeiro. Como núcleo populacional, as primeiras notícias em registros históricos datam de 1779. Informam da corrida de população à área, tendo sido erguidos vários edifícios notáveis para habitação de numerosas famílias.

O desenvolvimento de São Domingos data de 1816, quando D. João VI se alojou em Niterói, de luto pela morte de sua mãe, D.ª Maria I. Tomás Soares de Andrade lhe ofereceu um elegante palacete para residir.

Os aglomerados do outro lado da baía de Guanabara eram então São Domingos e Praia Grande. Este último foi escolhido como sede por ocasião da elevação dos povoados à categoria de Vila Real da Praia Grande, mais tarde denominada Imperial Cidade de Nictheroy.

São Domingos, por não ter sido escolhido para sediar a Vila, em razão da exiguidade da área, perdeu momentaneamente a importância. O surto de crescimento urbano direcionou-se principalmente para o bairro de São João Batista de Icaraí. Mas em 1821, com o Plano Pallière, e em 1841, com o Plano Cidade Nova, algumas modificações e melhoramentos destacaram São Domingos como um aprazível recanto da nova capital da Província do Rio de Janeiro.

Nesse bairro moraram ilustres personalidades brasileiras, com destaque para: Caetano de Miranda Montenegro, Visconde da Vila Real da Praia Grande (1817); José Bonifácio de Andrade e Silva, Patriarca da Independência (foi para São Domingos após o seu exílio em Paquetá e lá faleceu em 1838); o grande pregador sacro, frei Francisco de Montalverne (1857); o pintor Ângelo Agostini (1888).

Além deles, Carlos Gomes frequentava assiduamente São Domingos, especialmente a residência do embaixador Salvador Mendonça; e também Antônio Parreiras, grande pintor brasileiro, cujas obras receberam inspiração das paisagens de São Domingos, Gragoatá e Boa Viagem.
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