31 de mar de 2010

Sibaritismo

Faz uns anos saiu na capa da Veja São Paulo um Super-Homem em carne e osso: “engenheiro poderoso, triatleta e um sucesso entre as mulheres”.

O tal “homem de ferro” já tinha se casado, separado, noivado, rompido, ficado, paquerado: só beldades, promoters, modelos e apresentadoras. O esportista tinha então 6,8% de gordura corporal, mesmo índice do nadador Michael Phelps. Tendo participado de 16 ironmans, tinha por hábito acordar às 4h30 e estava se preparando para subir o Everest. Depilava‑se inteiramente com cera quente a cada dois meses e raspava a cabeça toda a semana; alimentava‑se a cada três horas com frutas desidratadas, biscoitos integrais e suprimentos, gotas de azeite, cinco castanhas‑do‑pará, fora uma batida de leite de soja com proteína em pó a cada seis horas. Profissionalmente, além de famoso por obras importantes, destacava-se por ser um construtor agressivo: apostara o patrimônio pessoal que construiria um Shopping em tempo recorde.

Sinceramente? Que ridículo e artificial modelo, proposto de forma tão despropositada! À época, achei a reportagem tão besta que anotei esses dados só por diversão. Culto ao corpo, preocupação excessiva pela aparência externa, pela saúde, pela comida, pelo descanso. Coisas novas com cheiro de coisa velha.

Pode parecer que eu me contradigo, já que para conseguir tal saúde o “coitado” tem de dar um duro danado. Ora, para que acumulamos senão para curtir depois?

Sibaritismo hoje — o desejo de luxo e prazeres físicos, voluptuosidade excessiva, requinte e indolência, inclinação à obscenidade — continua sendo bastante semelhante ao estilo de vida dos antigos ricos habitantes de Síbaris, antiga cidade da Magna Grécia… A natureza humana não muda, ainda que os relativistas sintam um frio na espinha ao ouvir falar de natureza.
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