23 de mar de 2010

Pioneiros da Arquitetura Moderna I


Bibliothèque Ste. Geneviève
Henri Labrouste (1801-1875) admirava o ferro e vidro nas construções. Sua Bibliothèque Ste. Geneviève (1843-1850), em Paris, é um dos primeiros edifícios com o ferro determinando seu caráter estético. É renascentista, de tratamento nobre, disciplinado e econômico na decoração, porém mantém a estrutura escondida na alvenaria.

E. E. Viollet-le-Duc (1814-1879), admirador e imitador de Labrouste, abordava funcionalmente a arquitetura em suas teorias, nas quais exigia autenticidade na exposição dos materiais. Propugnava um novo estilo para o século, para que a linguagem arquitetônica não se tornasse obsoleta. Seguindo a linha cientificista de então, afirmava que ARQUITETURA = CIÊNCIA + ARTE.

Gilbert Scott (1811-1878) era o correspondente a le-Duc na Inglaterra. Via na construção metálica um largo campo para o desenvolvimento arquitetônico, porém na prática se limitava ao historicismo gótico, sem lançar mão das inovações da engenharia civil.

William Morris (1834-1896), arquiteto, industrial, designer, artesão, pintor e comerciante. Principiou a renovação que condenaria a decadência estética ocorrida desde o Renascimento. Considerava as cidades de então um aglomerado de casas horríveis. Admirava a Idade Média pela sinceridade de sua arte, que era expressão do prazer no trabalho e da alegria de quem usa e de quem desfruta desse instrumento de liberdade espiritual. Por isso, opunha-se ao gosto e ao design exibidos nas Grandes Exposições de Londres e Paris, acusando a indústria e as maquinarias de maléficas para o homem. Abriu uma firma que respondesse aos apelos artísticos sociais e preservasse ao artesão tal parcela de demanda, já absorvida pela massificação industrial. Fabricava papéis de parede, louça, mobiliário, etc. Tudo com desenho original, porém um tanto incoerentemente, pois às vezes não se valia do trabalho manual, dada a grande produção. Era o movimento Arts and Crafts, que salvaguardou as artes menores da absorção completa pela politécnica e revalorizou os objetos de uso quotidiano. Com o auxílio de Philip Webb (1831-1915), fez toda a mobília e sua própria Casa Vermelha (1860) personalizadas. Webb, focando a funcionalidade e tirando partido da luz solar,
ousou ao exibir-lhe os tijolos sem revestimento nas fachadas e rechaçar qualquer referência aos estilos anteriores.

Henri Van de Velde (1863-1957) buscou a mesma sinceridade de Morris 30 anos depois, aproveitando-se da conjuntura belga: super-industrialização, aceitação do novo gosto antiacademicista, sede de exposições de vanguarda impressionista, movimentação artística moderna através de grupos e revistas. Também como Morris, quis dar à arquitetura e ao design mais autenticidade, construindo seu próprio lar. Ao travar contato com o Arts and Crafts, tornou-se difusor das concepções nascentes por toda a Europa, as quais amadureceriam no estilo Art Nouveau. Com efeito, Velde criou estamparias onde as formas da natureza serviam de ornamento. No Art Nouveau, tais formas, leves, sutis, sinuosas, transparentes, foram possíveis graças à ducitilidade e à maleabilidade do ferro, também associado ao vidro, que começavam a ganhar espaço nos edifícios. Foi diretor da Escola de Artes Aplicadas, que viria a ser a Bauhaus.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...