8 de jan de 2010

A questão platônica


Arístocles, descendente do rei Codros e parente de Sólon, cognominado «Platão» (de πλάτος = amplitude, largueza) devido à ampla fronte, nasceu em Atenas em 428 aC. Desde a juventude via na política o seu ideal. Contudo, aos 24 anos, tendo travado contato com a vida pública através de dois parentes aristocratas que assumiram o poder, mas agiram corruptamente, desgostou‑se e afastou‑se da militância quando os democratas posteriores condenaram Sócrates à pena capital.

Foi seguidor de Sócrates após ter sido discípulo de Crátilo, aluno de Heráclito. Com 30 anos fora a Mégara, estando em casa de Euclides e aos 40 estivera na Itália, onde conheceu as comunidades pitagóricas. Talvez tenha estado igualmente, antes de na Itália, no Egito e em Cirene. Dionísio I de Siracusa fê‑lo ir à Sicília, onde tornou‑se amigo de Díon, parente do tirano. O rei irritou‑se das pretensões de Platão, que se indispusera com a corte e idealizava Díon como rei‑filósofo. Por isso foi posto como escravo em Egina. Depois de resgatado, voltou para Atenas.

Fundou ali, num ginásio situado no parque dedicado ao herói Academos, a sua Academia, onde ministrava cursos chamados «Sobre o bem», cujo teor não quis escrever para não minar sua espontaneidade. Contudo, seus discípulos registraram de modo indireto suas aulas, produzindo um valioso subsídio «doutrinal não‑escrito» para as suas doutrinas escritas.

Seus textos remanescentes são divididos em nove tetralogias temáticas: a questão gira em torno da autenticidade, datação e evolução do seu pensamento.

Platão dialoga nos seus escritos, como se fosse Sócrates. A partir da temática ético‑política socrática, faz uma releitura da physis através da «segunda navegação»: a descoberta do supra‑sensível. Recupera o mito como expressão de crença, chegando alguns temas da sua filosofia a assemelhar‑se à fé racionalizada. Seus livros podem ser lidos, além de sob o viés metafísico‑gnoseológico, na perspectiva religiosa neoplatônica, na ético‑político‑educativa da modernidade, ou na da oralidade dialética atual.

Aos 60 anos, Platão voltaria à Sicília, onde reinava Dionísio. Este exila Díon por tramar contra o trono e detém Platão. Tendo sido libertado e voltado para casa, retornou à Sicília sete anos depois, convencido disso por Díon, que se refugiara em Atenas, que o rei o desejava na corte. Mas se não fosse protegido pelo pitagórico Árquita, que conhecera na primeira viagem, poderia ter perdido a vida.

Díon tomaria o poder de Siracusa cinco anos depois, porém seria morto dentro de três anos. Platão voltara para a Academia logo após a perseguição, falecendo na sua direção um ano depois.
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