1 de jan de 2010

Poemas de Natal

Esta são as poesias que acompanham as demais gravuras de Wierix, de que não disponho, e que fazem jogo com a postada anteriormente, num total de cinco.
Mas ATENÇÃO: a gravura ao lado não é dele!


II
Dic, o Puer, Homo Bulla,
Res tam levis nos est ulla,
  Bulla nil fragilius.

Mater, Nati pro statura,
Ulna brevis est mensura,
  Est immensus Filius.

Tradução livre:

Dize, ó Menino, frágil Homem,
Não há coisa mais leve do que a bolha,
  nem mais delicada.

A Mãe, pelo tamanho do Menino,
Em breve abraço abarca
  o imenso Filho.

Ao que parece, a ideia de homo bulla, “homem bolha”, é oriunda do começo do tratado De Agricultura, de Marco Terêncio Varrão, significando o quanto o ser humano é efêmero: “hoje somos, amanhã não”.

III
O beatum pavimentum!
Te, qui fecit firmamentum,
  Verrit suis manibus.

Ferte ligna, fiet cibus,
De farinae satis tribus,
  Sed Amoris ignibus.


Tradução livre:

Ó feliz pavimento!
A ti quem fez o firmamento,
  Varre com suas mãos.

Traga-se a lenha, faça-se a comida,
Para satisfazer os três de trigo
  Mas com o fogo do amor.

IV
Animose finde Pater,
Animosa perge Mater,
  Fila trahens linea.

Est laborum consolatur
Mundi puer fabricatur
  Fruta legens lignum.


Tradução livre:

Com garra talha o Pai,
Animada coze a Mãe,
  puxando pelo novelo.

Distrai-se dos cansaços
O Menino que fez o mundo
  catando as lascas da lenha.

V
Ferro trabes vult secare,
Puer, terras, coelum, mare,
  Qui pugillo continent.

Mater fuso voluit
Angelorum qua regina
  Supra calos eminens.


Tradução livre:

Quer a trave serrar
O Menino que terra, céus e mar
  no punho os contém.

A Mãe quer ficar com o fuso
Mesmo sendo dos Anjos
  rainha supereminente.
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