5 de jan de 2010

Conhecidos e inimigos, amigos e desconhecidos


Relações sem afeição versus “amizade” com desconhecidos. Curiosa esquizofrenia tão comum entre as pessoas de todos os tempos. Os que hoje aliviam a solidão nas mídias sociais são os mesmos que há 50 anos xingavam aos berros a esposa em casa, mas atendiam suavemente a um desconhecido ao telefone.

O homem vive de dicotomias. Tudo é oito ou oitenta. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Dizem que, nas conversas, os japoneses não conseguem ser tão bipartidários quanto os brasileiros: aqui sempre criamos altercações por qualquer coisa, assumindo uma opinião só por ser contrária ou a favor. Os orientais procuraram a conciliação, a linha média.

É óbvio que, em ambos os casos, pode-se faltar à verdade: muitos de nós altercamos sem refletir e muitos dos que sempre buscam conciliar são covardes irenistas.

O cristianismo é a religião do E, não é a religião do OU. Compõe sem negar a diversidade. Unifica sem uniformizar. Vide a Trindade (um Deus em três Pessoas), a Encarnação (uma Pessoa em duas naturezas),  a Igreja (povo santo e pecador). Os radicais de todos os tempos puxam um dos lados da corda. Os preguiçosos de plantão resolvem o problema cortando a corda.

Falando de esquizofrenias, ouvi um funk no outro dia. (Tocava na Uruguaiana, não ouço esse lixo. Só ouço http://www.funkcomolegusta.com/.) Era dos Hawaianos, o funk Um pente é pente. A letra desmiolada dizia:
Traição é traição, 
romance é romance,
amor é amor,
e um lance é um lance .

Ora, será que o matrimônio ainda é matrimônio? Dizem por aí que é:
1) um assunto privado;
2) um projeto individual sem relação com o tecido social;
3) a conquista de uma satisfação pessoal.

Claro está que o matrimônio é privado, mas também é público; que é projeto individual, mas também afeta o bem comum; que é satisfação, mas também é tarefa.

De todas as esquizofrenias, talvez esta seja a que mais deve ser combatida hoje. É preciso proclamar diariamente a beleza, a bondade e a verdade do casamento. Através de caminhos ordinários e heroicos, de momentos bons e maus, o amor conjugal é um testemunho da benção do Criador.

Mas esse coração!… Coração de chiclete grudento, de barro poroso, de pedra dura… pescador, beija-flor… Não é fácil conter esse cavalo bravo transmutante! Senão, as convicções se diluem, as pontas da corda se afastam, os joelhos se chocam, caímos de bruços.

well my grandpa says commitment is the key to love
fifty years of sometimes twilight, sometimes dawn
he says there were the years he wasn’t sure about
but the love he chose was worth the pressing on
well I’m a river’s flow, some days I’m fast some days I’m slow
I think Grandpa could be right, he could be right
some days I fill the edges, then I’m shallow and pretentious
it all depends upon the rain I got that night
I should never base my faith upon my sight
(Alli Rogers, Closer to the Moon)
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