1 de dez de 2009

Temugin é aclamado “Gengis Khan”


Kurultai, a grande assembléia
Na primavera de 1206 todos os habitantes das tendas de feltro, desde os pastores aos noian (nobres) foram convocados para uma kurultai ou assembléia perto dos montes sagrados dos borgigin, em que se informariam os desígnios dos deuses para as tribos.

Os chefes engalanados assistiram ao sacrifício ritual de garanhões e éguas e ouviram os mais respeitados xamãs proclamar soberano supremo a Temugin. O príncipe dos xamãs lhe disse: “Se exerceres teu poder com justiça, o céu o estenderá sobre toda a terra. Se abusares dele, que até mesmo esta manta de feltro te seja tirada”. E levantando‑o no ar sobre o feltro, foi aclamado por todos os chefes como Gengis (o maior, o mais vigoroso) e rei dos hunos.

Tomando a palavra, Gengis Khan concedeu em reconhecimento o honroso título de mongóis a todas as tribos ali representadas e afirmou: “Este povo mongol, que encontrei duro, puro e claro como cristal, conduzirei à dominação do mundo”.

Efetivamente, a unidade subjacente aos títulos de “rei dos hunospara Temugin e de “mongóis” ao povo supunha que as antigas tribos passavam a representar simples associações familiares e que a nova nação mongol se voltariam contra as populações sedentárias.

Como no passado, a capital foi instalada em Karakorum, antiga capital do império turco. Os funcionários naimanos que tinham sido feito prisioneiros criariam o alfabeto mongol, baseado no uigur. Gengis Khan exerceu o poder supremo sobre 32 povos, por ele divididos entre “os do centro, os da mão direita e os da mão esquerda”, na mesma ordem em que disporia as tropas fornecidas por eles.

Novo exército e velhos costumes
Para que o exércitoespinha dorsal do império nascido das lutas contínuas e voltado para a conquista — fosse um instrumento capaz de conter as intermináveis rebeliões dinásticas e tribais, Gengis Khan reformulou‑o radicalmente. Os mongóis foram organizados, para a paz e para a guerra, em pelotões de 10.000 homens, os tuman, diretamente ligados ao comando supremo. A participação num tuman era hereditária e intransferível, mas em seu interior havia uma mudança constante de quadros, com administração bastante democrática: cada dez homens escolhiam um chefe de grupo, cada dez chefes um centurião, cada dez centuriões um chefe de mil, e os chefes de mil elegiam o líder do tuman, mas que precisava da confirmação de Gengis Khan.

Da sua rude legislação chegaram‑nos pequenos fragmentos através de fontes muçulmanas. Por exemplo, diz seu primeiro artigo: E “Aquele que não obedecer ao Iassa (a lei) perde a cabeça”. Ou: “A maior felicidade para um mongol é vencer o inimigo, roubar seus tesouros, matar seus servos, escapar no galope de seus cavalos bem nutridos, servir‑se do ventre de suas mulheres e filhas”.

O novo também procurou consolidar os princípios tradicionais da sociedade nômade sem alterá‑los minimamente. Seu império é um grupo de ulus (tribos), estas um conjunto de clãs e estes um grupo de famílias. O conselho do clã imperial detém o poder de escolher o supremo. À sua volta estão os antigos noian e os guerreiros. Estes preenchem os quadros de mando do exército, recebendo honrarias e propriedades proporcionais ao seu mando. Os chefes de mil recebem uma placa de ouro decorada com uma cabeça de leão, têm direito a guarda‑sol nos deslocamentos e a um trono ao conceder audiências, ainda que não disponham de muito tempo para administrar a justiça. Por outro lado, as caçadas eram consideradas prática militar e duravam dois meses.
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