28 de out de 2009

Pecados cerebrais

Numa postagem anterior, comentei que uma consequência da epistemologia pós-moderna é a criação de um corpo de “homens-massa” executores "de elite" (intelectuais, universitários, etc.) a quem basta satisfazer com conforto e bem-estar.


Assim, é perfeitamente possível que gente ilustrada racionalize seus preconceitos sem dar-se conta de que não concatena uma ideia com outra de forma razoável. Massa de manobra inconsciente, crente de que conduz o títere da própria vida porque cursou tal ou qual faculdade.

As pessoas buscam avidamente se comunicar, sem ter o quê comunicar. Antes, uma autoridade burra poderia impor-se à massa. Hoje, a massa ignorante pode arrogar-se ares de autoridade.

Nesse sentido, deixo constância agora de mais um dogma do credo dos ignorantes. Mais uma definição infalível e irreformável dos que, baseados na tradição e nos argumentos de seus predecessores de augusta memória, sistematizam seu pensamento acerca da Igreja Católica.

O “dogma” é: A Igreja sempre quis ter grande influência sobre as pessoas e para isso trabalha sua imagem e fama, para isso atualiza suas listas de pecados, para isso retém muito dinheiro.

Nem sei por onde começar para terminar logo esta postagem. De fato, o que um boleiro responderia a uma pessoa que achasse que o esporte bretão luta por ser socialmente aceito entre os incas da Patagônia porque suas cinco bolas são feitas com bexiga de lhama?

Esse tipo de “dogma” só é criado quando se reduz a Igreja Católica a um fenômeno sociológico. É preciso distinguir a santidade da Igreja da santidade na Igreja. Dessa forma, é possível reconhecer que, a despeito dos princípios instaurados por Cristo, alguns fiéis possam ter tipo algum comportamento equivocado. Mas hoje se diz que a Igreja como um todo adota um comportamento equivocado.

Comportamento equivocado. Qual é o grande crime para a sociedade de hoje, o grande mau comportamento? Manifestar convicções. Soube até de uns ateus de carteirinha, estilo adoradores de Richard Dawkins, que têm se sentido excluídos, que se acham minoria ofendida, porque algumas pessoas não toleram que eles divulguem suas ideias. Pois é, minha gente, na pós-modernidade você não pode ser nem modernista (como tais ateus), nem fideísta (como os muçulmanos, protestantes fundamentalistas e pseudocatólicos tradicionalistas).

O grave comportamento da Igreja é ter convicções acerca de si mesma, é alertar seus fiéis acerca dos comportamentos que ela qualifica de desvios éticos. Ora bolas, se você não é fiel, não precisa acreditar. Se você não concorda com a ética cristã, viva a ética legalista kantiana, a utilitarista de Bentham, ou a axiológica de Scheler. Ninguém está obrigando você a abandonar seu emotivismo, se você é emotivista; ou o intuicionismo, se você é um esteta.

É ridículo pensar que homilias “conservadoras” para as velhinhas da missa de domingo farão algum estrago no novo paradigma cultural pós-moderno. Saiba, meu caro universitário, intelectual mais de razão estreita do que sem fé, que quem tem acesso a informação abundante e imediata é quem mais precisa do critério para selecionar qual a informação relevante e qual a supérflua, qual a preconceituosa e qual a incoerente. Por isso, em vez de tentar sistematizar críticas preconceituosas, leia mais coisas sérias, especialmente os clássicos, para ganhar mais critério, e não acredite em qualquer um.
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