20 de ago de 2009

Etapas do projeto luminotécnico I


Determinar o sistema predominante
Uma das primeiras questões de um projeto arquitetônico é decidir o sistema predominante de iluminação: sendo o artificial, haverá de optar pelas alternativas oferecidas pelas três grandes famílias de lâmpadas: incandescentes, fluorescentes e de descarga; sendo o natural, haverá de guiar‑se pelas condições do sítio geográfico e pela dinâmica desejada (incidência lateral ou zenital).

Se a iluminação natural lateral dos interiores tende a perder o desempenho à medida em que se afasta das janelas, a zenital garante uma iluminação mais regular e uniforme, exigindo porém maior proteção térmica (orientando‑se ao sul ou instalando‑se dispositivos contra a radiação solar). O inconveniente está por conta da alta densidade das metrópoles, em que os recuos laterais impossibilitam a captação suficiente da luz.

Além das características arquitetônicas, influem na definição do sistema as cores e os materiais dos pisos, paredes e tetos; o projeto de decoração, com a distribuição do mobiliário; as características e dimensões dos móveis.

Conhecer o usuário
A visão do usuário e sua percepção da luz também influem na escolha da iluminação artificial. Por exemplo, aos 60 anos as pessoas têm 20% menos acuidade visual e, aos 80, 40%; a acuidade visual já não cresce tanto a partir de 1.000 lux; o tempo de execução de tarefas já não diminui tanto a partir de 100 lux; a fotossensibilidade permite uma adaptação rápida do escuro para o claro mas demora de 30 a 50 min para o contrário.

É um requisito essencial, portanto, averiguar a atividade, os costumes, as prioridades e a idade do usuário.

Observar alguns fatores concernentes à iluminação
Devem ser levadas em consideração as características físico‑ambientais dos espaços, as exigências do entorno, a iluminação de emergência interna e externa (com sistemas independentes) e a distribuição da rede elétrica.

O equilíbrio entre luz e sombra também deve ser previsto: o direcionamento do foco de uma luminária pode gerar sombras marcantes, mas a ausência de sombra pode fazer desaparecer a textura de objetos e superfícies.

Do mesmo modo, deve‑se cuidar das reflexões e dos contrastes: o preto absorve mais luz, porém o branco a reflete mais, exigindo menos pontos de luz. Nos contrastes, o olho se adapta às superfícies maiores. Se forem mais escuras, as menores parecerão mais claras; se mais claras, as menores parecerão mais escuras.

A boa reprodução de cores está relacionada com a qualidade da luz que atinge os objetos, pelo que se deve buscar um índice de reprodução de cor (IRC) ideal por volta dos 80% (acima disso, por exemplo, numa cozinha — em que há necessidade de identificar o frescor dos alimentos pela aparência — e, abaixo, numa garagem).

Por fim, a temperatura de cor ou tonalidade da luz (do vermelho para o azul cresce a temperatura de cor em Kelvin) tem aceitação e rejeição variada conforme a região do país: em áreas quentes se prefere luz azulada (quente) e em áreas frias, avermelhada (fria). A sensação psicológica que se tem com as cores frias e quentes não pode ser confundida com a realidade da temperatura da luz: as cores frias inspiram frescor e as quentes, aconchego.
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